A anatomia de um desastre previsível e que poderia ter sido evitado

22 O livro “Anatomia de um desastre” escrito a seis mãos pelos jornalistas João Borges, Claudia Safatle e Ribamar Oliveira nos leva a uma conclusão obvia de que ao fim de treze anos, quatro meses e doze dias no exercício do poder, “os governos do PT avançaram na economia, retrocederam e, ao insistirem na busca do crescimento a qualquer preço, quebraram o Estado.” O livro revela ainda, que está na deterioração das contas públicas  a raiz da pior recessão que o país já experimentou tanto em intensidade quanto em duração, com o encolhimento de 3.8 pontos percentuais do PIB no período de 2015 a e mais 3,8% em 2016.

O livro constata que apesar do período de austeridade fiscal relativa entre 2003 a 2008, depois de 2012 o estrago nas contas públicas foi sendo progressivo. Revela ainda, que a dívida publica se agravou a partir de 2013, atingindo 57,2% do PIB em 2014; saltando para 66,5% em 2015 e alcançando o patamar de 69,5% do PIB em 2016, quando a dúvida atingia o astronômico patamar de 4,2 trilhões de reais.

Como resultado, quando Dilma foi afastada do governo, a economia brasileira simplesmente estava no fundo do poço, “com  as finanças públicas em frangalhos, a recessão batendo recordes, a inflação persistente e o desemprego galopante,”  com um saldo 12% dos trabalhadores desempregados e fora do mercado formal de trabalho.

Para quem acompanhou o noticiário político e econômico do país ao longo dos governos petistas o livro nos remete a um acompanhamento do perfil e do desempenho da economia brasileira ao longo do período analisado, mas nos enriquece justamente com as narrativas dos bastidores do poder e dos desmandos que resultaram na desarticulação da estrutura econômica do país, que mergulhou na mais profunda crise recessiva e moral da sua história.

O livro é dividido em 21 capítulos e um epílogo, começando nos idos de 2005, quando uma palavra dita pela então poderosa chefe da Casa Civil, Dilma Rouseff, selaria o destino da política econômica que marcou desde o começo do governo do presidente Luis Inácio Lula da Silva. Ela declarou em 9 de novembro do 2005, que a proposta de um novo regime fiscal com atrelamento dos gastos públicos ao crescimento do PIB – em 2017 o governo Temer teve aprovado pelo congresso a proposta de compatibilização dos gastos à inflação num projeto similar e duramente criticado pelos petista-, que  “era rudimentar, enterrando um projeto que estava sendo conduzido pelos ministros Antonio Palocci, da Fazenda; e Paulo Bernardo, do Planejamento, com a ajuda do então deputado e ex-ministro Delfim Netto”. O projeto tinha sido encomendado pelo próprio ex-presidente Lula que transferiu o comando dos debates para a sua desastrada sucessora.
Foi assim que emergiu a verdadeira personalidade por trás das concessões feitas pelos petistas até aquele momento. Dilma Rousseff desqualificou o plano fiscal, desautorizou os ministros que lideravam o projeto e enterrou de vez qualquer chance de a administração de Lula ser responsável e comprometida com o longo prazo para promover o crescimento compatibilizado com a possibilidade de um ajuste fiscal.
Dilma também aproveitou uma entrevista para o Estado de S.Paulo, para sentenciar a marca dos governos petistas com seu afã desenvolvimentista dizendo que  “Despesa é vida”.  Editado pela Cia das Letras, o livro  descreve com detalhes e análises apuradas os bastidores da crise econômica e política  que começou a ser produzida muito antes do escândalo da contabilidade criativa e das pedaladas fiscais, engendradas de forma desastrosa no governo de Dilma e acelerou o fim do seu acidentado governo.
No prefácio, ex-presidente do Banco Central, Armínio Fraga diz, textualmente, que  “Se o texto que vem a seguir em algum momento lhe parecer ficção, a culpa é dos fatos, não dos autores”. O livro mostra que na primeira fase, Lula descartou o programa histórico do PT e comprometeu-se em seguir as políticas ortodoxas de FHC, o que deu certo. A segunda fase começa com a queda de Palocci e deflagração pelo governo Lula de uma política mais intervencionista e menos transparente com uma mudança gradual do modelo econômico, marcando o início da escalada da inflação.
O caos começa a se desenhar  com a chegada de Dilma Rouseff à presidência da República e após alguns ajustes para corrigir os exageros do ano eleitoral de 2010, ficam evidenciados que os sinais apresentados na fase anterior tinham vindo para ficar.
O fato é que  leitura de A Anatomia de Um Desastre nos leva para o âmago dos bastidores do poder, de onde foram tomadas as decisões desastrosas que nos levaram a uma série de crises que se agravaram ao longo do tempo, piorando ainda mais com a maquiagem das contas públicas e aparecimento de uma nova matriz econômica, que teve como marco inicial a proposta de reduzir as tarifas de energia elétrica, o que acabou com um custo de mais de R$100 bilhões para o contribuinte e problemas para as empresas do setor energético.

Há ainda um capitulo dedicado à Petrobras que em 2008 era a segunda empresa do planeta em valor de mercado (309 bilhões de dólares) e em 19 de janeiro de 2016, havia despencado para a 249ª posição no ranking mundial, valendo o equivalente a 17,8 bilhões de dólares.  O livro nos mostra que em 13 anos o país não viveu um jogo de sete erros, nas um desacerto agravado pela soma de todos os erros, o que se complicou pelas adoções de políticas heterodoxas e até a realização de uma operação quadrangular, que detrerminou a perda de credibilidade da equipe econômica comandada então por Guido Mantega e que foi o primeiro passo para o “aprimoramento” da contabilidade criativa e das pedaladas fiscais que deram no impeachment da presidenta Dilma Rouseff. (Kleber Torres)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s