Galileu e uma teoria que abalou os alicerces da Igreja

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Galileu Anticristo : uma biografia,  escrita por Michael White também autor de Leonardo: o primeiro cientista e Isaac Newton: o último feiticeiro, nos mostra a história de um cientista que foi julgado pela igreja ao subscrever a teoria heliocentrista, de Copérnico,que colocava a terra girando em torno do sol, abalando os dogmas e os alicerces da Igreja Católica, para quem a terra era o centro do universo e no seu entorno giravam a lua, o sol, as estrelas e planetas.

A ideia  foi tão revolucionária quanto as de Darwin, que apresentou a hipótese da teoria evolucionista em contraposição ao criacionismo e mesmo às de Freud, mostrando que o homem não era tão racional, isso sem falar nas propostas de Marx jogando no lixo os conceitos da religião ao propor a morte de Deus e de Einstein, que abalou ainda mais as bases da fé com a teoria da relatividade e lançando as luzes  da física quântica, dando margem para especulações sobre o big-bang e a teoria das cordas.

White conclui que Galileu era azarado o bastante para estar no lugar errado e na hora inapropriada ao expor suas ideias, pois vivia na Itália , “no auge da Contra-Reforma, quando a paranoia católica estava mais intensa.” Um complicador a mais é que justamente quando Galileu trazia a tona uma teoria heterodoxa, a Europa vivia o clima da Guerra dos 30 anos , um conflito provocado pelo choque entre católicos e protestantes, após a reforma de Lutero.

O fato é que o modelo teórico copernicano e que Galileu colaborou para confirmar através de uma série de pesquisas e aprimoramento de inventos, colocava o sol como centro do universo e a terra era descrita como mais um dos planetas que orbitavam no seu entorno. A teoria aristotélica e o dogma cristão definiam a terra como o centro de todas as coisas, e o seu questionamento equivalia a colocar em dúvida as bases da religião e ampliando o conflito entre a fé e a ciência.

O autor do livro conclui que “o cristianismo é antiintelectual e antiprogressista, e que há fortes objeções ao modo como papas e outras figuras influentes usaram o seu poder.”   Há porém quem considere que os erros da Igreja são coisas do passado e que devemos esquecer os milhares de mortos pela inquisição, além dos inocentes que morreram em suas mãos, muitos deles sem qualquer tipo de julgamento ou culpa formal.

Outra conclusão importante é que a vida de Galileu, que teve seus altos e baixos, mas se tornou o cientista e  intelectual mais respeitado do seu tempo, como autor de vários livros e aprimorador de diversos inventos, a exemplo do telescópio. Ainda segundo Michael White sua vida “foi surpreendentemente fértil e repleta de triunfo e agonia, mas, graças ao acontecimento fundamental da sua maturidade – a perseguição a que foi submetido pela Igreja -,  ele se tornou um símbolo da luta pela liberdade de pensamento, o epítome de um individuo iluminado que enfrenta a ignorância institucional e vence…no fim.”

O livro tem como pano de fundo a intolerância religiosa e o desrespeito à inteligência, neste contexto, os hereges eram perseguidos, seu trabalho reprimido e as opiniões, silenciadas. Cabe lembrar que o exemplo histórico mais famoso foi o destino de Giordano Bruno, um contemporâneo de Galileu, considerado um religioso radical, que foi impalado e queimado pela inquisição há justos 417 anos – foi morto em fevereiro de 1600-, depois de sete anos de prisão e torturas. Seu crime maior ele não só defendia a teoria de Copérnico e subscrita por Galileu, como acreditava na existência de vida inteligente em outros planetas.

Fica claro no livro que o julgamento de Galileu ante a Inquisição foi historicamente a maior crise que o humanismo e o iluminismo enfrentaram durante o Renascimento, evidenciando um confronto aberto entre a racionalidade, com base na observação e na lógica, os pilares da ciência em contraposição à fé cega e dogmática dos religiosos que não aceitavam nenhum tipo de contestação controlando e limitando o conhecimento do seu tempo.

A invenção da impressora de tipos moveis por Gutenberg permitiu a difusão da cultura e da leitura. Em 1564, ano do nascimento de Galileu já haviam sido impressos cerca de 50 milhões de livros, mas a expectativa de vida das pessoas era muito baixa: a vida média era de 24 anos para as mulheres e de 27 anos para os homens. Neste tempo a maior parte da população passava fome e acabava acometida por doenças por toda a vida.

White nos revela ainda, que os confrontos entre ciência, filosofia e religião ficaram mais evidentes na época com as tentativas de assassinato intelectual de Copérnico, Bruno, Galileu, Hobbes e Darwin tendo como foco de  origem a tensão pouco evidenciada e registrada “entre os dogmatistas da Igreja e os ingênuos experimentadores que passaram a vida no caldeirão correndo o risco de ser pegos”, segundo White.

A obra é divida em 16  capitulos que falam da família de Galileu, do poder da religião, da ciência e do polímata rebelde com causa e do confonto entre a teoria de Aristoles e Copérnico, marcando um novo começo com a ida de Galileu para Veneza. O livro revela ainda o conflito entre ciência e religião, os segredos papais e intrigas sagradas, mostrando que há uma calmaria antes da tempestade e as intrigas que levaram Galileu a ser julgado pela inquisição, terminando com a magia do século XXI com carne, sangue, pão e vinho.

Mas de Galileu ficam duas lições de que por si move, um comentário feito entre os dentes após ser condenado pela inquisição  sobre o movimento da terra no espaço em torno do sol e a frase “não me sinto obrigado a acreditar no mesmo Deus  que nos dotou de sensibilidade, razão e intelecto pretendia que limitássemos o seu uso”.  A sentença de Galileu nunca foi e talvez nunca seja revista pela Igreja, que somente 350 anos depois da sua condenação, trouxe a luz a verdadeira base da disputa entre o cientista e o clero.  (Kleber Torres)

Cidade Universitária leva em conta a importância de Itabuna como polo regional

 

O projeto da Cidade Universitária leva em conta que Itabuna por ser um polo da região Sul da Bahia reúne um grande número de instituições de ensino superior com campus e escritórios locais que operam pelo sistema de ensino à distância EAD, e se consolida como polo regional de educação e prestador de serviços, funcionando também como um centro de logística, fatores geradores de emprego e renda.

Na justificativa, é destacado que no artigo 30 da Constituição Federal compete aos municípios legislar sobre assuntos de interesse local, assim, “o Programa Cidade Universitária propõe colocar Itabuna no patamar das cidades simpáticas ao estudante universitário, desenvolvendo políticas específicas de priorização do alunado, vocacionando-o em contrapartida para a prestação de serviços em locais de interesse público.”

O projeto que declara Itabuna, cidade com uma população de 220 mil habitantes, como polo educacional e cidade universitária tem como base a sua condição de polo regional de serviços na área de educação, saúde e como um importante centro financeiro. Também enfatiza que a cidade reúne uma pluralidade de instituições de ensino superior, “públicas e privadas, havendo, ademais, a notícia da implantação de outras duas instituições, consolidando cursos como direito, medicina, odontologia, engenharia, fisioterapia, contabilidade, pedagogia e outras carreiras”.

Ao considerar a situação de Itabuna como polo da microrregião do cacau, com mais de 100 municípios no seu entorno, que direcionam diariamente um extenso número de alunos para as universidades locais, o projeto que declara Itabuna cidade universitária consubstancia os atos administrativos para a promoção e favorecimento da educação superior na cidade, com a finalidade de fomentar as práticas educacionais facilitando a acessibilidade e o manejo da infraestrutura de apoio às instituições de ensino superior.

Tecnologia

O secretário de Ciência, Tecnologia e Inovação, José Vivaldo Mendonça, que representou o governador Rui Costa, durante a solenidade de assinatura do protocolo para implantação do curso de medicina das Faculdades Santo Agostinho e anúncio do projeto da Cidade Universitária, disse que Itabuna está incluída entre os 27 polos de desenvolvimento tecnológico da Bahia, os quais estão sendo implantados pelo governo em todas as regiões do estado.

Para ele, inovação é fazer isto que está sendo realizado em Itabuna através da parceria entre o Governo Municipal e a iniciativa privada no sentido de transformar a cidade num centro de ensino superior. Ele parabenizou o prefeito Fernando Gomes pela sua determinação e luta em defesa de Itabuna e da região, contribuindo para o seu desenvolvimento através da educação: “e o que vemos aqui é a união entre o governo, a academia e o setor produtivo com um objetivo comum, o que vai permitir avanços e inovações no rumo do desenvolvimento,” complementou Mendonça.

De acordo com o secretário, a proposta do governo do estado é construir na região Sul da Bahia, um ambiente de Governança, com a participação da Amurc, do Consórcio de Desenvolvimento Sustentável Litoral Sul e o envolvimento dos prefeitos com o objetivo de retomar o desenvolvimento da região. “A região precisa retomar a pauta do cacau, e partir para a diversificação, fortalecendo o sistema Cabruca e demais sistemas de plantio”. E finalizou ressaltando que Itabuna, com a sua infraestrutura, é o ponto de conexão que unirá ações e processos para o desenvolvimento regional.

Os polos de desenvolvimento tecnológico da Bahia têm como áreas prioritárias Biotecnologia e Saúde, Tecnologia da Informação e da Comunicação, Energia e Engenharias. O Parque Tecnológico terá sua estrutura dividida em três eixos centrais: Eixo da Inovação, que vai operar como instrumento de atração de empresas; Eixo da Tecnologia, que abriga a esfera institucional de suporte à interação entre universidades e empresas; o Eixo da Ciência, que envolve a estratégia de fortalecimento da produção científica.

Apoio

O empresário Edimar Margotto acredita que com o Projeto da Cidade Universitária e a chegada das Faculdades Santo Agostinho, “estamos preparando Itabuna e a região para a retomada do desenvolvimento e Fernando Gomes vem fazendo isso com maestria, através da sua liderança e competência”.  Ele citou como efeito multiplicador dos centros de ensino superior, que o novo curso de medicina da FAS começa com a oferta de 85 vagas no primeiro ano e, num prazo de seis anos, mais de 510 estudantes já estarão atuando como estagiários nos postos de saúde e hospitais, ajudando na melhoria do atendimento aos pacientes. “Acredito que este projeto representa uma grande oportunidade para Itabuna, que em contrapartida está oferecendo todo o suporte de infraestrutura para as Faculdades Santo Agostinho e as demais instituições de ensino superior”.

O juiz Antônio Higino parabenizou o prefeito Fernando Gomes pela iniciativa de transformar Itabuna numa Cidade Universitária, destacando que a educação é prioridade e um fator essencial para qualquer projeto de desenvolvimento, o que aparece como prioridade para o governo local, que também investe em geração de emprego, renda e no combate à violência, uma ação abrangente e com impacto na cultura, economia e difusão do conhecimento no âmbito regional.

Projeto em debate na Câmara transforma Itabuna em “Cidade Universitária”

Com o objetivo de colocar Itabuna num patamar das cidades favoráveis ao desenvolvimento da educação superior, criando facilidades para a implantação instituições de ensino, desenvolvendo políticas específicas de incentivo à inovação e ao empreendedorismo universitário, bem como através do estabelecimento de convênios e parcerias com as empresas júnior e a iniciativa privada, o prefeito Fernando Gomes encaminhou para apreciação do Legislativo Municipal, em caráter de urgência, o Projeto de Lei que transforma Itabuna em “Cidade Universitária”. A ideia é consolidar Itabuna como principal polo de educação e serviços da região sul da Bahia, ampliando assim as perspectivas de geração de emprego e renda.

Ao defender a proposta o prefeito destaca o clima favorável ao projeto com a concretização da implantação do curso de Medicina das Faculdades Santo Agostinho (FAZ), que tem inauguração prevista para 28 de julho, e a necessidade de apoio do legislativo e da sociedade civil organizada. Ele também anuncia para os próximos meses a chegada à Itabuna de outra importante unidade de ensino superior, que se soma às demais instituições já em funcionamento, a exemplo da Universidade Federal do Sul da Bahia, da Unime, FTC e Unopar.

Fernando Gomes também lembra que teve participação não apenas na luta pela estadualização da Uesc, como também na implantação do seu curso de Medicina, resultado de uma mobilização que envolveu lideranças políticas e toda a sociedade civil organizada. Hoje, Itabuna tem também milhares de alunos matriculados na Uesc e na cidade também residem centenas de professores, além de estudantes oriundos de outras cidades que movimentam o mercado imobiliário e o comércio local.

Segundo o prefeito, visando criar facilidades para o novo curso de medicina da FAS, a prefeitura vai viabilizar convênios com o Hospital de Base Luís Eduardo Magalhães e com a Maternidade Ester Gomes, devendo disponibilizar ainda no próximo ano uma área para implantação do campus das Faculdades Santo Agostinho. Hoje, o Hblem já recebe estagiários de medicina, enfermagem, psicologia e outros cursos de saúde.

Uma reflexão sobre a vida e a morte inexorável

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Ninguém chega aos 80 anos impunemente e Luis Ferreira da Silva, pai de três filhos, com sete netos e dois bisnetos; centenas de árvores cultivadas depois de atuar por mais de três décadas no campo da agronomia e 14 livros publicados (reza a lenda de que um homem para ser realizado bastaria ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro),  nos brinda com “O Sol Poente da Vida”, que vale como um balanço da sua trajetória, preocupações e ações.

Ele mesmo define a proposta informando que o livro narra os 80 anos de vida  enfocando como pontos básicos a força do trabalho, a edificação de uma família, a consciência do valor do estudo e o desprendimento em fazer o melhor de si: “nada tem de excepcionalidade  este caminhar acontecido sob a realidade de dois séculos (1937 a 2017), mas que me proporcionou ajuizar épocas vividas, validando-as no seu tempo.”

O livro pe dividido em 21 capitulos e fala da importância do aprendizado que começou na escola e se ampliou no decorrer da própria vida, bem como uma trajetória em oito conversas, com passagens sobre as expectativas em termos de ganhos e perdas ao longo do tempo. Nos projetos de vida,  ele nos fala dos sonhos que mantém para a velhice e a preocupação com a qualidade de vida.

Citando Guimarães Rosa, para quem viver sempre foi uma coisa perigosa e carece de coragem, Luiz Ferreira alerta sobre os percalços e da necessidade de viver de forma condigna, um desafio para quem está imerso numa sociedade de consumo e onde a honestidade foi jogada num segundo plano. O autor também fala da importância  dos amigos e questiona o mundo atual, que em função da exploração midiática, “é mais água com açúcar, glamorização e aparências, vendendo-se imagens irreais” e líquidas, que se dissolvem ao toque do mouse ou do telefone digitalizado.

Em viver nos dois séculos, Ferreira nos fala do espanto dos avanços tecnológicos desde o rádio com válvulas ao Ipod, mas passa transversalmente  do namoro ao ficar, da palavra confiada à instituição da mentira deslavada até uma profunda crise moral e ética com perda e mudança de valores. O autor aborda a questão da família como cumeeira do futuro e da necessidade da preservação ambiental ao respeito à natureza.

O livro destaca  ainda a sua reverência ao mar e dos novos paradigmas do século XXI, além de enfocar os problemas complexos de um país em crise política agravada pelo mensalão e pelo lava jato com consequências e impactos no conjunto da economia nacional.  Ele também defende a reforma do estado, o que inclui uma reforma política e da previdência, bem como elaboração de um programa de desenvolvimento agrícola que contemple uma reforma agrária efetiva, sem matizes políticos e ideológicos , além de um SOS para a cacauicultura que precisa de uma saída urgente para os seus problemas.

Luis Ferreira também mostra o Brasil que deu certo e que nem tudo está perdido. O autor questiona os motivos do nosso subdesenvolvimento, propondo uma socialização dos ensinamentos e uma discussão sobre temas recorrentes no nosso dia a dia. O livro é simples e mostra um depoimento e uma reflexão pessoal em 114 páginas, ajudando a resgatar uma história de vida construída com trabalho, compromisso e lembrando que ninguém ficará impune ao transgredir  as leis da natureza, seja de cunho ambiental (ciclos fito-biológico-climaticos) ou orgânicos (sobrecarga de órgãos vitais / farras), pois tudo tem seu limite e depois vem a cobrança, que às vezes custa caro com o preço da própria vida. (Kleber Torres)