Uma reflexão sobre a vida e a morte inexorável

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Ninguém chega aos 80 anos impunemente e Luis Ferreira da Silva, pai de três filhos, com sete netos e dois bisnetos; centenas de árvores cultivadas depois de atuar por mais de três décadas no campo da agronomia e 14 livros publicados (reza a lenda de que um homem para ser realizado bastaria ter um filho, plantar uma árvore e escrever um livro),  nos brinda com “O Sol Poente da Vida”, que vale como um balanço da sua trajetória, preocupações e ações.

Ele mesmo define a proposta informando que o livro narra os 80 anos de vida  enfocando como pontos básicos a força do trabalho, a edificação de uma família, a consciência do valor do estudo e o desprendimento em fazer o melhor de si: “nada tem de excepcionalidade  este caminhar acontecido sob a realidade de dois séculos (1937 a 2017), mas que me proporcionou ajuizar épocas vividas, validando-as no seu tempo.”

O livro pe dividido em 21 capitulos e fala da importância do aprendizado que começou na escola e se ampliou no decorrer da própria vida, bem como uma trajetória em oito conversas, com passagens sobre as expectativas em termos de ganhos e perdas ao longo do tempo. Nos projetos de vida,  ele nos fala dos sonhos que mantém para a velhice e a preocupação com a qualidade de vida.

Citando Guimarães Rosa, para quem viver sempre foi uma coisa perigosa e carece de coragem, Luiz Ferreira alerta sobre os percalços e da necessidade de viver de forma condigna, um desafio para quem está imerso numa sociedade de consumo e onde a honestidade foi jogada num segundo plano. O autor também fala da importância  dos amigos e questiona o mundo atual, que em função da exploração midiática, “é mais água com açúcar, glamorização e aparências, vendendo-se imagens irreais” e líquidas, que se dissolvem ao toque do mouse ou do telefone digitalizado.

Em viver nos dois séculos, Ferreira nos fala do espanto dos avanços tecnológicos desde o rádio com válvulas ao Ipod, mas passa transversalmente  do namoro ao ficar, da palavra confiada à instituição da mentira deslavada até uma profunda crise moral e ética com perda e mudança de valores. O autor aborda a questão da família como cumeeira do futuro e da necessidade da preservação ambiental ao respeito à natureza.

O livro destaca  ainda a sua reverência ao mar e dos novos paradigmas do século XXI, além de enfocar os problemas complexos de um país em crise política agravada pelo mensalão e pelo lava jato com consequências e impactos no conjunto da economia nacional.  Ele também defende a reforma do estado, o que inclui uma reforma política e da previdência, bem como elaboração de um programa de desenvolvimento agrícola que contemple uma reforma agrária efetiva, sem matizes políticos e ideológicos , além de um SOS para a cacauicultura que precisa de uma saída urgente para os seus problemas.

Luis Ferreira também mostra o Brasil que deu certo e que nem tudo está perdido. O autor questiona os motivos do nosso subdesenvolvimento, propondo uma socialização dos ensinamentos e uma discussão sobre temas recorrentes no nosso dia a dia. O livro é simples e mostra um depoimento e uma reflexão pessoal em 114 páginas, ajudando a resgatar uma história de vida construída com trabalho, compromisso e lembrando que ninguém ficará impune ao transgredir  as leis da natureza, seja de cunho ambiental (ciclos fito-biológico-climaticos) ou orgânicos (sobrecarga de órgãos vitais / farras), pois tudo tem seu limite e depois vem a cobrança, que às vezes custa caro com o preço da própria vida. (Kleber Torres)

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