Um retrato escrachado vida política brasileira

Depois de cumprir quatro dos quatrocentos anos de prisão a que foi condenado por formação de quadrilha, corrupção e outros crimes conexos (uma pena similar à do ex-governador Sérgio Cabral, do Rio de Janeiro, envolvido na Operação Lava-Jato), o ex- motorista de ônibus, ex-lider sindical e ex-deputado federal João Ernesto volta por via transversa à cena política em o Candidato Honesto 2, depois de se tornar um herói ao salvar um garoto de afogamento numa praia e acaba tendo seu nome lembrado para a disputa da corrida  presidencial. Ele volta inteiramente renovado, depois de perder mais de 80 quilos na prisão e a famosa prega rainha.

O Candidato Honesto 2 é rico em alusões metafóricas a conhecidas figuras influentes na política brasileira, a exemplo de Pedro Rebento, ligado à pátria, família e a liberação de armas de fogo ou o seu candidato a vice-presidente comparado com o conde Drácula, trabalhando sempre nos bastidores. O filho de João Ernesto, Marcelinho (Vitor Leal) diz ao pai afastado do cenário político, que o Brasil acabou virando uma terra de ninguém  e que na política não tem traição maior do que ser um político honesto.

A jornalista Amanda Pinheiro (Rosanne Mulholand), que teve um filho com o sindicalista gerado no filme anterior da série  O Candidato Honesto, uma referência a um filho bastardo de FHC e que não foi reconhecido em função de um posterior exame de DNA, continua atuando como repórter. Ela anuncia a candidatura de Ernesto para presidente pelo PLDB, sigla que se parece com o PSDB, ao comentar sobre o quadro caótico da política brasileira e se candidata à Câmara Federal.

João Ernesto reposiciona a marca e aparece com um discurso diferenciado. Ele também repagina o visual, inclusive testando uma cabeleira à la Trump, que não foi incorporada à campanha. Como ele precisava de uma mulher para entrar na corrida presidencial, recorreu a Amanda Pinheiro, que recusou e acaba apelando para o plano B,  o que inclui a sua ex-mulher Isabel (Flávia Garrafa), num recasamento simulado.

Ao entrar na campanha vitoriosa Joaõ Ernesto cresce nas pesquisas de opinião e empata com o seu antagonista Pedro Rebento (repetindo a polarização que está  ocorrendo nas pesquisas do pleito agora no primeiro quadrimestre de 2022). Um personagem comenta no filme que a política só vai melhorar mesmo quando os bons forem maioria em Brasilia, que vivia uma campanha marcada pelo ódio, revanchismo e truculência.

No final das contas, João Ernesto acaba vencendo a eleição para a presidência prometendo mudar o país com uma série de reformas. A posse inclui uma fala gregoriana de uma sósia de Dilma Rousseff (Mila Ribeiro) na transmissão da faixa presidencial, com seus circunlóquios verbais, que experiente em impeachment recomenda ao sucessor: “abra o olho e cuidado com o seu vice”, que se parece com Michel Temer.

O filme também inclui depois da posse, uma sequência de João Ernesto chupada do filme O Grande Ditador (1940), em que Charles Chaplin brinca com a bola do mundo nas mãos. Já o vice, que parece um vampiro e é cheio de mistérios, tenta uma composição dizendo ao presidente eleito: ”me ajuda, que eu lhe ajudarei”. Mas em essência, o novo presidente reina, mas não governa e acaba emplacando apenas uma pessoa para o seu ministério, uma anã, negra e lésbica, como símbolo de seu compromisso com a diversidade..

Numa cena que teve como fundo musical Inútil, da banda Ultraje a Rigor, João Ernesto admite que não entende nada de política com P maiúsculo, e acaba confessando que conhece mesmo os rumos da propina e da maracutaia. Ameaçado de impeachment, ele compreende que o segredo do diabo – o seu vice – é nunca mostrar a sua face e que o mesmo é o próprio sistema.

O processo deixa o pais dividido e dependendo de apenas um voto para evitar a cassação, ele acaba derrotado no Congresso pelo sufrágio da sua  ministra das comunicações  Amanda Pinheiro, que voltou à Câmara Federal para acompanhar a votação e acabou cedendo às pressões e chantagens dos opositores ao governo, a quem faltou numa avaliação maior competência capacidade e talento uma marca comum aos demais governos nas últimas décadas.

Como comédia O Candidato Honesto 2 é um retrato escrachado do complicado macrocosmo da vida e dos bastidores da política brasileira, um país que segundo o filme merece paz e um governo comprometido com o povo. O Candidato Honesto 2 também ensina  que o brasileiro deve escolher melhor os seus lideres e termina com uma cena caótica reprisada do clássico Planeta dos Macacos(1968), com o mundo devastado e em que restam apenas escombros da Estátua da Liberdade colocando em dúvida sobre os destinos do país, antes que os políticos acabem com ele, o que por ser o tema de um a comédia ou o enredo de um pesadelo sobre os rumos da democracia.(Kleber Torres)

Ficha técnica

Titulo : O Candidato Honesto 2

Diretor : Roberto Santucci

Roteiro:Paulo Cursino

Elenco :Leandro Hassum, Rosane Mulholand, Paulinho Serra, Vitor leal, Flávia Garrafa,Cassio pandolph, Mila Ribeiro

Cinematografia : Nonato Estrela

Música : Fábio Mandego

Gênero : Comédia

Lançamento : 30 de agosto de 2018

Gênero: comédia

Autor: Palavra Digital

Sou escritor e jornalista

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